V Jornada Interdisciplinar

V JORNADA DO INSTITUTO BEM TE VI

DEMASIADO HUMANO

27, 28 e 29 de setembro de 2018 – Natal-RN

 

jornada

 

CONVOCATÓRIA

 

O Instituto Bem Te Vi tem como proposta de trabalho a pesquisa e a clínica em direção ao tratamento do sujeito no tocante ao Desenvolvimento Humano e suas dificuldades. Lemos essas questões dentro da interdisciplinaridade que lhes concerne, tendo a psicanálise como diagonal que atravessa nossas compreensões do humano e sua subjetividade. Enquanto ética, teoria e práxis, a psicanálise nos serve como campo de trabalho e iluminação das questões que o sujeito, bem como a clínica interdisciplinar nos trazem.

Consideramos que entre clínica e pesquisa, existe uma relação de continuidade moebiana. Para ambas, é fundamental o diálogo com os variados campos de saber que com elas se articulam e que podem trazer colaborações e interrogações frutíferas. Por assim se posicionar, o Instituto Bem Te Vi convoca profissionais e pensadores a colaborarem no debate e na construção do conhecimento, com suas idéias e seus relatos de experiências no campo do Desenvolvimento Humano e da subjetividade de nosso tempo.

Nesta V JORNADA, propomos nos debruçarmos sobre assuntos demasiado humanos. Questões com as quais defrontamo-nos cotidianamente, pelas quais vivemos e que nos fazem ser quem somos.

Convidamos profissionais, pesquisadores, estudantes e interessados a começarem, desde já, a pensar sobre essas questões e, na primavera de 2018, nos dias 27,28 e 29 de setembro, virem contribuir com as conversas e debates que animarão esse encontro. A repetição, as paixões, o brincar, o amor & o ódio, a criatividade, a angústia, a loucura, a violência, o desejo, a inteligência & a debilidade, os encontros e desencontros, a necessidade de falar de si, o prazer e o tempo serão eixos por onde cada um em seu campo de saber, poderá fazer sua reflexão sobre a condição humana. Como estamos vivendo hoje essas questões do homem de todos os tempos?

Buscamos alguns caminhos para essa problemática a partir das contribuições de Friedrich Nietzsche e Leonardo Da Vinci. A expressão que nos deu o tema da Jornada, “Demasiado Humano”, foi tomada de Nietzsche. Ele partiu da afirmação de que toda ação de um homem de alguma maneira vai ocasionar outras ações, decisões e pensamentos, que tudo o que ocorre se liga indissoluvelmente ao que vai ocorrer. Assim ele propôs nesta sua obra, vida e liberdade como equivalentes ao Movimento.

Da Vinci, por sua vez, nos provoca a pensar, a partir de suas pesquisas, inventos e obras, já no século XIV, acerca de questões tão atuais nos dias de hoje. Suas pesquisas sobre o movimento e o funcionamento do corpo nos impõem as questões relativas à bioética. Os estudos que impulsionavam seus inventos nos apontam para a transdisciplinaridade, articulando engenharia, aerodinâmica, biologia e tantos outros saberes.

Em diferentes tempos e por diferentes vias, ambos nos suscitam, por suas vidas e suas obras, questões do humano que vão desde a sexualidade, a relação sujeito-outro, a criatividade, a violência, a curiosidade, a inteligência e a sustentação do desejo.

Sabemos que a contemporaneidade é resultante de muitos movimentos de buscas, de conquistas e também de retrocessos que o homem empreendeu ao longo da História. Atitudes e consequências fazendo a vida. Avançamos numa série de aspectos no que concerne à condição humana. Terão nossos tempos propostas e posições inéditas em relação ao amor e o trabalho, à família e os laços que unem os humanos, à sexualidade e suas implicações nos diversos campos da vida, ao exercício da liberdade e suas claudicações?

Mudamos em muitos aspectos ao longo dos tempos. Mudamos o modo de ter e de usar os objetos. Usamos os “smarts”, os GPSs, todos os programáveis que tornam mais prática a vida. Mudamos as condições que temos de intervir no organismo e no corpo e de planejar e modificar seus funcionamentos. Democratizamos o acesso a um volume de informações nunca antes imaginado. Os objetos ficaram inteligentes e ágeis, acessíveis para muitos. Mas será que podemos dizer que enfrentamos as questões que nos concernem com mais inteligência e agilidade?

Que espaço damos à inovação e tradição, responsabilidade e consequência, ruptura e continuidade? Vivemos mudanças de paradigmas, de estruturas e modos de funcionamento. Se Santo Agostinho já propunha a superação de limites em “A medida de amar é amar sem medidas”; se pelo fato do inconsciente não temos e nunca teremos a exata medição do desejo que nos habita, nem das implicações de nossos atos, a desmedida e os excessos consolidam-se como um importante aspecto de nosso modus operandi hoje. Assim, as adições, as compulsões, a psicossomática e as intoxicações eletrônicas tornaram-se também manifestações do sofrimento psíquico e do pathos na atualidade.

Ainda como reflexo das mudanças paradigmáticas trazidas pela atualidade, nossas organizações em vez da hierarquia, articulam-se preferencialmente em redes; o feminismo, a liberdade de amar, as questões de gênero e a busca por novas modalidades de família ganharam espaços e buscam expansões. Acontece intenso intercâmbio internacional entre culturas com um trânsito muito abrangente de pessoas em variados estratos sociais. As tecnologias avançam rapidamente promovendo novas conectividades e modalidades de trabalho. Práticas inclusivas têm conseguido progressos consideráveis.

Tais questões encontram-se em curso e provocam formações reativas, choques ideológicos, controvérsias e embates em todos os campos.  Isso não é sem consequências sobre as subjetividades de nossa época. Ao mesmo tempo em que testemunhamos interessantes soluções de saída, formações sinthomaticas singulares e criativas, também assistimos à formação de modos novos de sofrimento e de exclusão do outro e da diferença.

Como se manifesta o mal-estar nos nossos dias? Que efeitos presenciamos disso nas subjetividades, nos corpos e nas cidades? Com Lacan, sabemos que cada sujeito acontece e se tece pela arte de encontrar uma composição singular, que lhe dê alguma medida de seu destino entre a falta e o excesso, os limites do desejo e o infinito do gozo.  Estamos ainda devidamente advertidos de que cada um de nós é onde não se pensa, que nos habitam e nos movem imprevisibilidades e imprecisões de cálculos antecipatórios.

Para além do engessamento paralisante e das respostas totalizadoras que excluem o pensamento e a responsabilidade de cada um pelo mundo em sua constante construção, o que temos a dizer das questões que o sujeito, seus sofrimentos e dificuldades nos suscitam dentro do campo de atuação que nos concerne?

Nossa aposta neste encontro visa a polifonia, a abertura para o dizer e a escuta de várias vozes. As sínteses talvez venham depois. Construções e desconstruções outras, também. Que o demasiado humano nos convoque a produzir, a refletir e a tomar lugar com uma palavra dentro do fluxo complexo do pensamento de nosso tempo e de nossa comunidade. Vamos conVersar?

 

Eixos:

1- Repetição

2- Amor, Ódio e Paixões

3 – A Angústia

4 – A criatividade e o Brincar

5 – A Loucura

6 – A Violência

7 – Narrativas

8 – O Desejo e Prazer

9 – Inteligência & Debilidade

10 – Sexualidade

 

EIXO 1 – REPETIÇÃO

Repetir é um ato paradoxal, na medida em que o que se repete não é dado como novo e tampouco se repete como idêntico.

A lógica do pensamento humano se pauta pela alternância entre movimentos de repetição e processos de invenção. Verificamos a importância da repetição nos processos de ensino e aprendizagem, na composição de partituras musicais, na dança, na dramaturgia, na poesia, na linguagem de programação, nos parâmetros utilizados pelos manuais classificatórios de patologias, nas séries prescritas para atividades corporais e de condicionamento físico etc.

A repetição tem algo de constitutivo e constituinte. Tem também, algo de paralisante e mortificante. Em Freud, o mecanismo de repetição está ligado à pulsão de morte.

Para Lacan, a repetição inconsciente não corresponde à reprodução de uma impressão vivida no momento da primeira experiência. Não se trata de reproduzir algo idêntico, a repetição está diretamente ligada a um movimento que impele a busca de algum objeto.

Duas modalidades de repetição são diferenciadas por Lacan: por um lado, o autômaton, que consiste na repetição simbólica da cadeia de significante que insiste em se fazer ouvir, sendo, portanto, passível de interpretação. Por outro lado, a tyché, da ordem do incompreensível e do inominável para o sujeito; isto é, implica na procura de um novo significado ou de um significado oculto no encontro com o real.

1.1 – Memória, Esquecimento e Repetição

1.2 – Repetição / Paralisação – Repetição / Elaboração

1.3 – Pulsões Destrutivas e Compulsão à Repetição

1.4 – O Estranho e a Compulsão de Repetir

1.5- Repetição como Apropriação do Desejo versus Repetição como Destituição        do lugar do saber e da posição desejante

1.6 – Aprendizagens e Repetição: o Ato de Repetir versus Ato de Ensinar

1.7 – Ensinante e Aprendente: o que se repete nessa experiência?

  • – Estilo: a repetição como marca.

 

EIXO 2 – Amor, ódio e paixão

Desde Freud, sabemos que o ‘bem-dito’ AMOR é fruto da falta, para amar é necessário reconhecer que se tem necessidade do outro e que é preciso amar para não adoecer. Em contrapartida, apesar de relegado à condição de ‘mal-dito’ e tomado como modo de destituição da alteridade, é necessário ‘bem dizer’ o ÓDIO, reconhecê-lo, nomeá-lo e conviver com a sua inefável e inexorável presença.

Para Hegel, “nada de grande foi ou mesmo pode ser realizado sem paixão”.

A paixão foi desde tempos remotos, um tema presente no universo humano. Caro às várias manifestações artísticas, desde as artes visuais, cênicas, musicais, cinematográficas e literárias. Fator de inspiração aos amantes. Ao tratar das paixões como uma emoção intensa dirigida a algo, a psicanálise não se ocupa primariamente do afeto em si e seus efeitos imediatos, mas do que ou como fazer com ela, por exemplo, paixão x razão, paixão x amor, paixão x ódio, paixão x violência.

São diversas as narrativas sobre as paixões (amorosa, por um ideal, etc.) e, na maioria das vezes, elas falam de (in)sanidades, (im)possibilidades, (in)saciabilidades, enganos, excessos, voracidade, possessão, etc. pondo em risco o desejo, ao eclodir um certo fechamento ao mundo.

Lacan enumera 3 paixões do ser: amor, ódio e ignorância, que se presentificam em toda civilização. ​Assim como o amor, o ódio aponta ao ser do Outro, fazendo com que ele exista. Enquanto a ignorância serve como defesa para não encontrarmos o estranho íntimo que nos habita. Com o que se relaciona o não querer saber? Então, quais as manifestações das paixões, do amor e do ódio na atualidade?

2.1- Paixão x Amor x Ódio x Devastação nas relações (parcerias amorosas, pais/filhos, amigos, etc)

2.2 – Paixão de saber e paixão de ignorância: vínculos entre amor, ódio e desejo no processo ensino/aprendizagem

2.3 – Amor ou Ódio como motores do desejo

2.4 – Os amores líquidos

​2.5 – O manejo clínico e a tentativa de mapeamento da paixão diante da transformação dos afetos.

2.6 – Os sentidos da paixão ao longo das idades da vida

 

EIXO 3 – A Angústia 

Já disse Freud, que angústia é um fenômeno impensável sem o corpo; vivida como uma sensação opressora de que não há mais saída. Segundo Lacan, “a angústia faz corpo”, é um afeto em torno do qual, pela desordem tudo se ordena. Acompanha o homem do nascimento à morte; é arrebatadora.

Os gregos procuravam combatê-la através do equilíbrio; a moderação como forma de controlar o estranho e o desmedido da natureza humana. É tomado como algo insuportável na contemporaneidade, vivida no real do corpo como algo avassala(dor). Surge daí a cultura da medicalização, “em nome do bem-estar e da felicidade”, inibindo e calando a angústia e, com isso, mascarando e prolongando o sofrimento psíquico. A degradação dos valores e a desvalorização da palavra, estão na origem dos modos como o sofrimento humano se apresenta atualmente. É a banalização da palavra que desumaniza, num tempo de “novos sintomas” e da padronização dos sintomas. A sensação de desamparo é própria do humano e para a clínica, a angústia é algo que move o sujeito e o conduz a uma produção.

3.1 – A passagem entre o não saber, o horror de saber e o desejo de saber: escolhas do sujeito

3.2 – O despertencimento. O corpo como lugar de sofrimento e suporte dos afetos: cutting, drogadições, bulimia, anorexia, obesidade, toxicomanias, TDA/H, bullying, entre outros.

3.3 – A invocação da felicidade e do sucesso, o rechaço ao vazio constituinte do humano: redes sociais.

3.4 -A domesticação da angustia e o apelo à medicalização.

3.5 -Sobre as capacidades de superação do humano e a banalização dos conselhos prêt-à-porter.

 

EIXO 4 – A Criatividade e o Brincar 

Há no homem, inevitavelmente, uma dimensão criativa. Há no Humano a interminável necessidade de invenção de si.

Criar aludindo ao que nasce do lugar vazio, o depois da falta. Criar como dar contorno e forma ao impossível de dizer da angústia, do real, da pulsação irrefreável da vida. Criar como liberdade de ser. Criar como escolha.

O homem cria seus sintomas, sua relação ao Outro, suas formas de exprimir-se e de contar da existência, de suas dores e alegrias. A língua, o amor, a arte, o sexo, a cultura e seus cultivos e a civilização: haveria o homem sem a dimensão da criatividade?

4.1 – Sinthoma e criatividade

4.2 – Aprendizagem e criatividade

4.3 – Criatividade e arte

4.4 – Oficinas terapêuticas: espaço para o viver criativo

4.5 – O saber como arte: criação de um estilo profissional

4.6 – Invenções criativas e experiências humanas

 

EIXO 5 – A Loucura 

Assim disse Lacan em seus Escritos: “…e o ser do homem, não somente não pode ser compreendido sem a loucura, como não seria o ser do homem, se não trouxesse em si a loucura, como o limite de sua liberdade”. Neste eixo, abordaremos a loucura em seus diversos aspectos. O psicopatológico, com a loucura do lado das psicoses e o sofrimento psíquico que da patologia decorre. Também com a loucura que nos habita a todos pelo fato do inconsciente, fazendo-nos cometer atos falhos e esquecimentos onde esperaríamos e teríamos plenas condições de enunciar frases calculadas e absolutamente coerentes. E ainda, onde todo o acervo que compõe o que chamamos de memória deveria estar completamente acessível para ser usado em favor da boa comunicação do que sentimos ou do que desejamos dizer ou enunciar.

Abordaremos a loucura como ruptura libertária, que leva alguém a interrogar ideais rígidos e que não mais lhe servem de orientação. Também a dimensão suficientemente louca que faz uma mãe ouvir o que seu bebê ainda não diz ou ler um gesto que ele ainda não esboça e com isso, abrir um campo onde a palavra haverá de ser enunciada e a comunicação gestual ganhará seus espaços.

Trataremos da loucura como faixa de continuidade moebiana entre insanidade e sensatez, mente criativa e petrificação de significantes.

5.1 – Aventuras e desventuras de uma mãe suficientemente boa: a preciosa pequena loucura de todas as mães

5.2 – Sobre as psicoses

5.3 – Sobre gênios (In)domáveis

5.4 – Sobre pânicos, ansiedades e outros incontroláveis

5.5 – Loucura e criatividade: o que nos conta a história e os relatos de experiências em situações limites?

 

EIXO 6 – Violência

Falamos de nossos tempos como violentos. Em nossas cidades brasileiras, incluso Natal, sentimo-nos ameaçados ao sairmos na rua, assaltos viram assassinatos por motivos banais.

Se a violência traz questões importantes para a vida urbana cotidiana, não é menos importante afirmar que ela levanta questões pelos quatro cantos do planeta e que no homem sempre teve atuante uma capacidade destrutiva enorme que somente a consciência de sua própria fragilidade frente ao outro e as adversidades da vida poderão brecar. Pulsão de morte e necessidade de satisfação a ponto de destruir quem a esta necessidade fizer obstáculo está na origem da relação do sujeito com o outro, do homem com o seu semelhante.

Noutro plano, desde Hannah Arendt, a violência tem também uma dimensão essencial traduzida por exemplo no ato educativo. No sentido de que educar é fazer marcas simbólicas, introduzir no campo do conhecimento e nisso levar ao adentrar da cultura estando aí o humano assujeitado. Pagará o preço de ficar fora da humanidade se a isso se recusar.

6.1 – A cidade, a rua e a violência

6.2 – A fratria entre violência e proteção contra o desamparo fundamental

6.3 – Educação e violência

6.4 – Efeitos da violência sobre as manifestações psicopatológicas

6.5 – Violência e História do Homem

6.6 – A violência como constitutiva da humanidade

6.7 – O Outro ameaça, o Outro abrigo

 

EIXO 7 – Narrativas 

Dizer de si, da vida, do outro. Comunicar, partilhar, contar. Desde o tempo das cavernas o homem se junta com outros e por causa disso, comunicar-se desde sempre tem sido tanto preciso quanto inevitável. São diversas as formas de narrativa que nos cercam e nos enunciam. Fazemos isso sozinhos, em casa, na rua, na escola, no trabalho. Fazemos isso em análise, como modo de tratamento do sofrimento psíquico na livre associação.

Fazemos isso na literatura, no teatro, na música. As narrativas encontram e produzem os mais variados suportes: acontecem nas conversas, na escrita, no desenho, na fotografia.

Viver é narrar. A simples presença é princípio de narrativa. O silêncio diz. As cenas humanas e as paisagens dizem. Por que dizer implica em ouvidos que ouçam e olhos que enxerguem. Narrar pede o outro. Narrar não da conta de dizer tudo do humano. Narrar é sempre insuficiente. Paradoxalmente é contando para outro que algo de nós se revela, inclusive para nós mesmos. Contando do homem, registramos a História. Damos consistência à cultura em seu estado gerúndio de sempre fazendo-se. Que narrativas circulam em nossos tempos? Como anda a comunicação em tempos de WhatsApp, Facebook, Instagram e dispositivos de conectividades? Como está nossa capacidade de contar de nós mesmos? Como aparecem as narrativas e o desejo de dizer-se e de escutar o outro, nos diversos campos de estudos e intervenções dos problemas do desenvolvimento e das questões humanas de que nos ocupamos?

7.1. Livre associação como método no tratamento analítico

7.2. O que se diz e o que se escuta: encontro e desencontros entre o sujeito e o outro

7.3. Diários e escritos como narrativas organizadoras

7.4. Efeitos do dizer para o sofrimento psíquico.

7.5. Para que serve uma conversa?

7.6. Pode o silêncio falar?

7.7. Voz, gesto e olhar como operadores das narrativas

 

EIXO 8 – Desejo e prazer 

Desejo em psicanálise é incompletude, o vazio que nos constitui como humanos e nos faz caminhar na vida numa inquietante busca de satisfação. É o que nos instiga a nos reinventarmos e a querermos mais. Para Spinoza é a essência do homem. Desejamos porque esse é o modo de lidarmos com o nosso desamparo.

Lacan dizia que a única coisa da qual o sujeito pode ser culpado é de ter cedido de seu desejo. Decorre dessa afirmação que o desejo pode provocar angústia, visto que todo desejo, em sua origem, carrega algo inconsciente recusado pelo sujeito. Mas então, por que Lacan nos disse que podemos ser culpados por ceder de nosso desejo, se o recusamos em alguma medida? É que sempre somos responsáveis por ele, mesmo que inconscientemente.

Em Freud, desejo é sempre o desejo de algo inconsciente e substitutivo a um objeto, indizível, impossível, na medida em que, enquanto seres falantes, nunca alcançaremos aquilo que demandamos. O combustível do desejo é, justamente, a falta traduzida n“A Palavra” que expresse o que desejamos. Afinal, alguém já disse o que realmente deseja? A clínica se coloca a serviço daquilo que pode ser feito: podermos nos interrogar acerca do nosso desejo. O que podem testemunhar do desejo os outros campos do saber?

8.1 – Escrita e desejo de dizer

8.2 – Não ceder do desejo x Bem dizer do desejo

8.3 – Desejo, Felicidade e Angústia

8.4 – Desejo de conhecer. Desejo de aprender

8.5 – Interlocuções entre desejo e lei

8.6 – Você quer o que deseja?

 

EIXO 9 – INTELIGÊNCIA & DEBILIDADE

No humano, o bom desenvolvimento intelectual nem sempre acompanha em igualdade de condições, o conceito de saúde. Assim, uma pessoa pode não ser excepcionalmente inteligente e ter uma vida laborativa e capacidade produtiva, falar em nome próprio, tomar decisões com relativa autonomia, construir e usufruir dos laços socialmente estabelecidos através das experiências socialmente compartilhadas e, diferentemente, podemos nos deparar com pessoas que gozam de altas habilidades, porém, apresentando psicopatologias graves, problemas no desenvolvimento do caráter ou na constituição da personalidade, empobrecimento ou despreparo no manejo com as emoções, sentimento de irrealidade e vivenciando uma estreita relação de dependência para com alguém.

Segundo Winnicott, o acúmulo de experiências primitivas no início da vida favorecerá a provisão de elementos essenciais para o desenvolvimento da inteligência. Uma criança familiarizada com o seu ambiente fará uso da sua inteligência reconhecendo e organizando o que percebe no seu entorno para, em seguida, poder pensar; isto é, formular explicações de acordo com suas possibilidades lógicas e encontrar maneiras de consentir e suportar o adiamento no atendimento de suas necessidades.

O conceito de deficiência, ao contrário da noção de debilidade na perspectiva psicanalítica, pressupõe um funcionamento cognitivo abaixo da norma e não leva em consideração o inconsciente. A psicanálise põe em evidência o sujeito de desejo, o sujeito do inconsciente e trata o sujeito singular.

Para Freud (1926), a debilidade se apresenta com a noção de inibição. Mannonni (1964), por sua vez, propõe a escuta do sujeito comessa singularidade, independentemente, de ser ou não ser decorrente de uma etiologia orgânica. “Se a debilidade for concebida apenas como um déficit capacitário ela isola o sujeito em sua deficiência. Procurando para a debilidade uma causa definida nega-se que ela possa ter um sentido, quer dizer uma história, ou que ela possa corresponder a uma situação”.

9.1 – Inteligência e o Viver Criativo

9.2 – Altas Habilidades

9.3 – Inteligência, debilidade, fracasso escolar e adaptações curriculares

9.4 – Inteligência, Corpo e Desejo

9.5 – Curiosidade, Desejo de Saber versus Inteligência e Debilidade

9.6 – Posição Subjetiva Débil versus Autonomia

9.7 – Debilidade versus Inibição: diferenças e aproximações

9.8 – O Sujeito em Posição Débil e a Linguagem: uso ou desuso?

9.9 – Debilidade: Possibilidades e Impossibilidades do Ensino Formal

 

EIXO 10 – Sexualidade

Com a psicanálise sabemos que o corpo como um todo é erógeno; a sexualidade se faz presente no humano desde a mais tenra infância e ainda, que a anatomia e as posições de um sujeito frente ao sexo não são sempre coincidentes. Disso nos falam as questões de gênero.

Consideramos ainda que o corpo erógeno nasce dos cuidados de uma mãe. E que a adolescência é tempo de encontro com a escolha das posições frente ao sexo, à diferença sexual.
Assim, a sexualidade fala do corpo e de sua dimensão orgânica, da insistência do pulsional e da resposta do sujeito ao Outro da cultura. A dimensão do inconsciente atravessa toda a sexualidade humana.
10.1 – Infância e sexualidade
10.2 – Adolescência e sexualidade
10.3 – Adultez e sexualidade
10.4 – Envelhecimento e sexualidade
10.5 – Não há relação sexual
10.6 – Sexualidade e gênero

 

 

Data: 27, 28 e 29 de setembro de 2018

Local: UNI-RN – R. Prefeita Eliane Barros, 2000, Tirol. Natal-RN.

Público alvo: Psicanalistas, psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos, neuropsicólogos, terapeutas ocupacionais, pedagogos e demais interessados.

Informações:(84)2020-4463/(84)99964-5157 ou                                                                                                                                                                                            “institutobemtevi.clinicas@gmail.com”

 

Investimento:  *Até 27/07/18 – Profissionais: R$180,00   –   Estudantes de graduação: R$100,00 Alunos do curso de Formação IBTV: R$120,00

*Até 26/09/18 – Profissionais: R$250,00  –   Estudantes de graduação: R$130,00 Alunos do curso de Formação IBTV: R$150,00

No evento:Profissionais: R$ 280,00 – Estudante de graduação: R$150,00 – Alunos de curso de Formação IBTV: 180,00

 

O pagamento deve ser feito presencialmente no Instituto Bem Te Vi ou por transferência/deposito bancário.

 

SUBMISSÃO DE TRABALHOS:

Data: Até 27/07/2018

 

REGRAS PARA SUBMISSÃO – APRESENTAÇÃO ORAL E PÔSTER:

Os trabalhos deverão ser enviados primeiramente em forma de resumo, contendo no máximo 1.000 palavras, desconsiderando o título e o(s) nome(s) do(s) autor(es).

Os resumos dos trabalhos inscritos deverão conter as seguintes informações: nome e instituição do(s) autor(es); breve nota curricular do(s) autor(es); o eixo temático e a forma de apresentação do trabalho – oral ou pôster.

 

TRABALHOS APROVADOS:

A comissão científica dará o resultado até o dia 13/08/2018.

A versão completa do trabalho deverá ser enviada por correio eletrônico, para o endereço  institutobemtevi.oficinas@gmail.comaté 01/09/2018. Cada trabalho deve conter, no máximo, 9.000 caracteres, em Times New Roman, corpo 12.

 

NORMAS DE APRESENTAÇÃO DOS TRABALHOS:

Apresentação de Trabalhos Orais:

Para as apresentações orais o autor contará com 15 minutos para a exposição do trabalho. Os trabalhos aprovados serão dispostos em mesas redondas, de acordo com o eixo temático ou por proximidade temática. Será designado para cada mesa um coordenador que organizará o debate, com duração de 30 minutos, após as apresentações.

Apresentação em Pôster:

Para a apresentação em Pôster o autor deverá confeccioná-lo no formato de, no máximo, 0,90cm de largura por 1,20cm de altura, em material sintético.

Haverá uma premiação para o melhor trabalho apresentado sob o formato de pôster.